Os Filhos da Porcelana by Ditinho Original





Os Filhos da Porcelana ( Sinopse)
Há 3.000 anos A.C. nascia na Suméria região da Mesopotâmia um menino com o nome de Ben Hadad. filho de Ali Hadad e Hadja Oled . Desde pequeno o menino foi educado a seguir o pai um artesão de porcelana e cerâmica de sua época, com mãos habilidosas e muito inteligente fez junto de seu pai muitas das coisas boas que existiram em seu tempo. Na sua juventude enamorou – se de uma donzela chamada Djrá.Nesses anos iniciais da civilização na terra ele teria que comprar a moça de sua família. Mas suas condições e de seu pai não permitiam tal feito. Decidiu então raptar Djrá e viver escondido na casa de seu pai Ali Hadad.
Tudo parecia estar dando certo, mas durante uma guerra dos invasores de suas terras, pra salvar sua amada de mão estranhas, Ben Hadad lutou até a morte defendendo sua amada e perdendo o contato físico com seu amor eterno. Como durante sua permanência na terra foi um ser humano de grande nobreza de caráter, e havia partido do mundo terreno por amor, teve a permissão de escolher perante A Força Suprema do Universo, sua volta no corpo de homem em algum lugar do mundo terreno pra se encontrar com Djrá novamente. Durante sua caminhada por milhares de anos ele procurava mas não encontrava Djrá em lugar algum de seu mundo, nem de outros mundos, e uma condição a Força Suprema havia destinado: Somente ele poderia encontra-la e provar seu amor, que ficara perdido durante tanto tempo. Como sua procura estava se tornando impossível, pediu então novamente a “Força” que deixasse achar na terra dos humanos mortais, um lugar parecido com aquele em que viveu com Djrá, e se ela o amasse de verdade também se encontrariam então nesse tempo. Novamente seu pedido foi atendido, então voltou à terra agora com outro corpo e outra vida, e com sua mente novinha em folha, livre das vidas passadas.
No ano 1971 D.C. numa noite de Natal, Ben Hadad no corpo físico de um jovem do século 20, já nem se lembrava mais de sua outra vida, nem do pedido que havia feito, mas nesse 24 de dezembro nas escadarias de uma Igreja, Ben Hadad cruzava novamente com sua amada Djrá. O jovem rapaz olhou pra aquela menina de 15 anos mais ou menos, ela não entendeu, seu coração disparou, suas pernas tremeram, ele não lembrava de nada, ela também não, mas quando se falaram ele lembrou que já havia escutado aquela voz,mas onde? Talvez tivesse sido na escola ou na pracinha. Ben Hadad agora no corpo de um ser humano dos anos 70 na América do Sul , não se lembrou porque estava ali na frente daquela menina e sua cabeça virava como roda- gigante do Parquinho de Diversões. Ficou calado então ao saber que a menina era comprometida, desistiu então. Mas ela nunca mais entendeu porque sua vida terrena nunca mais foi a mesma a partir desse dia de Natal, nem Ben Hadad esqueceu. Djrá continuou sua vida com outro corpo, Ben Hadad também, mas suas vidas foram separadas. Algumas dezenas de anos mais tarde Ben Hadad foi alertado pela “Força” divina que seu pedido havia sido atendido, como não se lembrara de nada, sua chance de viver com sua amada eternamente novamente teria perdido e agora para sempre. Mas como sua caminhada terrena teria sido satisfatória , Ben Hadad seria incumbido de uma missão: Somente ele poderia ajudar o mundo novo em que vivia se salvar de uma catástrofe eminente que breve aconteceria. Então sua amada Djrá o reconheceria onde quer que estivesse na terra, e viveriam felizes eternamente.




A Cidade das Pedras
Nossa história começa alguns milênios atrás, precisamente ao lado da Mesopotâmia com os antigos Sumérios. Esse povo de acordo com novos estudos e pesquisas atuais,formaram as primeiras povoações civilizadas que o mundo conheceu. Durante muito tempo eles viveram e trabalharam em paz desenvolvendo e criando grande parte das coisas que o mundo ainda usa hoje em dia. Mas não eram um povo guerreiro, eram trabalhadores, então os invasores de seu tempo dominaram sua terras e escravizaram sua gente acabando assim com , talvez a raça mais antiga e mais inteligente da terra.
Mas suas habilidades, boas maneiras e inteligência desenvolveram – se pelo mundo afora , e muitos povos de muitas nações basearam seus costumes e cultura no povo sumério.
Um dos principais personagem da Bíblia (Abraão) morava em Ur , cidade fundada e administrada por muito tempo pelos sumérios e que foi invadida e tomada pelos Caldeus e Babilônios degradando assim as boas idéias que os povos originais possuíam,formando a partir daí grandes colônias de escravos humanos que se espalharam então pelo mundo todo e até nos dias de hoje.
Na segunda metade do século 19 a coisa estava ficando difícil para os grandes proprietários de fazendas e muitas terras no Brasil. Os escravos começaram a gerar muitas despesas que ficava quase impossível manter a ordem e a comida numa ‘Senzala”, devido as leis que o país decretara então. A filha do Imperador “compadecida” do sofrimento escravo acabou assinando então a Lei Áurea que acabou com a escravidão e o comércio dos negros no Brasil.
A partir daí outros imigrantes como os italianos por exemplo, começaram a desembarcar no Brasil onde formavam suas famílias e trabalhavam na lavoura ganhando muito espaço na nova terra , já que os “Coronéis” se agradavam muito com os novos trabalhadores, que além de educados eram pacíficos , e não faziam revoltas como os escravos. Então na virada do século muitas cidades novas instalaram – se no Brasil, e dentre elas, desprendendo – se da Comarca de Amparo o Bairro dos Pedros, depois de sua emancipação passou a ser denominada Pedreira.
Mas como a lavoura que era uma das riquezas da terra começava com suas dificuldades naturais, alguns cidadãos resolveram instalar então uma Fábrica de Porcelana , tentando dessa maneira melhorar a arrecadação da pequena cidade onde a agricultura e a pecuária eram cem por cento do trabalho local.
A partir daí outras fábricas foram se instalando e o povo como os antigos “sumérios” eram também
habilidosos,pacatos e muito trabalhadores transformando então em poucos anos um dos locais mais procurados do “mundo” em matéria de porcelana artística, doméstica e também isoladores de cerâmica.
Ficando com o título muito bem formulado por sinal de ‘ A Flor da Porcelana” , título no qual todo povo que ama sua terra se sente orgulhoso por saber que com o sacrifício de muita gente a cidade chegou a esse ponto importante no mundo contemporâneo do século 21.

Os Sumérios e Pedreira
Quando falo em outro capítulo que nosso povo são descendentes da raça mais antiga da terra, estou falando isso baseado em pesquisas e fatos reais. Não estou “criando” nada, apenas como disse, formulo idéias que pesquisei também e que vivi junto com meus amigos e antepassados de grande crédito na história. Os antigos sumérios que viveram aproximadamente 3.000 anos A.C. tinham muita coisa em comum com a cidade de Pedreira. A região em que viviam chamava – se Mesopotâmia, que quer dizer (Entre Rios) ou seja, o Rio Tigre e o Rio Eufrates. A cidade de Pedreira fica num local “parecido” entre os Rios Jaguari e Camanducaia. Os limites suméricos eram o lado de cá do Rio Tigre e o lado de cá do Rio Eufrates,apesar de ser mais ao sul dessa região onde hoje se situa o Iraque. Do mesmo modo Pedreira fica no lado de cá do Rio Jaguari até o lado de cá do Rio Camanducaia. Os sumérios eram habilidosos artesãos e desenvolveram essas habilidades na fabricação de fios e tecelagem, e também na fabricação de cerâmica e porcelana além da pecuária e agricultura. Coincidentemente no século 20 nossa cidade ficou famosa pela fabricação de fios, CIA Fiação de Pedreira, pelas Fábricas de Porcelanas e Cerâmicas que fundaram na cidade e também pela Agro – Pecuária muito utilizada na região toda da cidade e arredores, além de muitos artesãos que durante esses anos fincaram suas habilidades na cidade da porcelana. Nossos antigos ancestrais eram muito religiosos, mesmo antes de existir o povo hebreu já admitiam a existência de um Deus único “Marduk” que comandava todas as coisa existentes no mundo físico da Terra. Um dos Patriarcas maiores do povo hebreu e da Bíblia Sagrada era habitante da cidade de Ur na Caldéia , que foi fundada pelos sumérios e invadida mais tarde pelos caldeus. Da mesma maneira em nosso tempo nosso povo dotado de grande fé e religiosidade, apesar de nossos poucos limites geográficos , aceitamos todo tipo de doutrina, mesmo admitindo sermos católicos,(praticamente cada bairro tem uma Igreja Católica).
Hoje o Ecumenismo é lei , mas nós já respeitávamos todas religiões antes dessa lei.
Há 3 mil anos atrás eles(sumérios) chegavam sempre na frente inventando coisas para o conforto da população. Inventaram a roda, a escrita, organizaram o dia em doze horas o ano em doze meses , o horóscopo, as pesquisas espaciais(já sabiam por exemplo que a terra era redonda e girava elipticamente em torno do sol). Descobriram milhares de anos atrás coisas que nossos cientistas só confirmaram no século 20 e ainda existem algumas que nós não descobrimos ainda. Tudo isso só pra se ter uma idéia do tipo de gente que estamos falando. E provávelmente toda a “civilização humana” própriamente dita, começou desse antigo povo que apesar de viverem em tempos físicos tão distantes de nós estão mais perto do que nunca.
Quando nos anos 60 o Governo Militar ditava as “ordens” no Brasil, precisavam provar pra toda nação que eram complacentes com a maioria dos brasileiros (os de menor renda, os pobres), fundaram então no ano de 1966 o BNH – Banco Nacional da Habitação – que iria financiar casas a todo cidadão que não possuísse bens em seu nome, com 25 anos de prazo para pagar e se o titular viesse a falecer , a esposa e seus descendentes estariam quites e assumiriam de vez a propriedade. As Casas Populares no Brasil foi uma febre todo mundo queria uma e quem não conseguia ainda falava mal de quem morava lá , mas foi a invenção da roda pra nós , porque a partir daí formaram – grandes imobiliárias no Brasil e partindo da idéia primitiva das casas populares acabaram por ajudar muita gente que não teriam condições de adquirir a casa própria , subsídios pra tão sonhada moradia particular.

O Conjunto Residencial Silvio Maia e eu
Depois que foi fundado o Banco Nacional da Habitação pra financiar casas populares aos trabalhadores brasileiros de baixa renda, o Governo precisaria arranjar cidades e lugares estratégicos no país onde circulasse pessoas de toda parte do Brasil. Decidiram então que um desses lugares seria Pedreira. Talvez pela sua localização como entrada do Circuito das Águas Paulista ou pelas suas montanhas que todo turista que visitasse as cidades serranas da região, testemunhasse que a casa popular no Brasil era uma realidade. Então foram construídas as primeiras casinhas populares do país na cidade da porcelana. E ainda por cima fizeram uma caixa d’água em forma de xícara, ostentando assim a supremacia e benevolência dos Generais brasileiros nos anos 60. Foi entregue sem estrutura nenhuma as casinhas que todos ironizavam dizendo que era o “Pombal” por serem todas iguais.Mas muita gente inclusive meus pais e nossa família fizeram bom proveito das tais casas, reformando-as mais tarde . E é até hoje uma das vilas mais respeitadas na cidade e na região toda pela sua localização estratégica, e que os militares já haviam previsto alguns anos atrás, é a Vila Monte Alegre o primeiro protótipo de casa popular no Brasil e a segunda inaugurada( a cidade de Valinhos foi a primeira porque eram poucas unidades na época, menos do que Pedreira),mas a Flor da Porcelana com sua xícara gigante foi por muito tempo um lugar muito admirado por todos que passavam pela Vila Monte Alegre , e também por orgulho nosso, que afinal mesmo sendo um assunto muito criticado na época acabou ajudando muita gente em todo território brasileiro e também a cobaia fomos nós.
Já na metade dos anos 70 começaram ser construída ao lado da Vila Monte Alegre mais um Conjunto Residencial , dessa vez com uma firma particular. Mas essa firma depois de algum tempo decretava falência , prejudicando então toda família que já haviam pago parte do contrato das casas, e como a construção havia ficado pela metade, o prejuízo de todo mundo seria maior ainda.
O problema maior seria do Governo Militar, se construíssem o resto das casas e entregassem aos proprietários , isentariam os responsáveis por omissão dos próprios. Se deixassem tudo como estava , além do prejuízo de muita gente que tinha comprado as casas, a propaganda do sucesso que teria sido a
Vila Monte Alegre ali do lado, seria um atestado de incompetência do Governo o que não queriam sob hipótese nenhuma. Chamaram então o Prefeito Municipal na época na Secretaria de Governo e fizeram a seguinte proposta : Se ele conseguisse que a Doutora Ana diretora da COHAB Bandeirante acoplasse o conjunto novo à Vila Monte Alegre resolveria então vários problemas de uma só vez . Prometiam então que na inauguração do conjunto de casas,o Presidente da República marcaria presença na cidade. E além disso muitos outros problemas que a cidade tinha então(como o caso da marginal por exemplo) o governo daria subsídios extras em troco do favor prestado pelo Prefeito de muito prestígio e respeito mo meio político da época.
A Doutora Ana Ferreira Diretora Presidente da COHAB, era uma mulher muito respeitada e como poderia não aceitar a proposta e desse modo balançar as boas relações que a cidade mantinha com ela.
O prefeito depois de pensar muito resolveu que pelo bem das pessoas que haviam adquirido os imóveis e também pelos benefícios que traria pela cidade, se ela aceitasse o acordo proposto. Correria o risco de levar um não bem grande, mas tentaria pelo menos( ele próprio me contou esse episódio numa ocasião em que trabalhei junto com êle).
Quando então foi até Campinas falar com a Diretora, pra surpresa dele, ela foi logo dizendo:
- Mas é claro que nós aceitamos, daremos entrada nos papéis o mais rápido possível !
- A Vila Monte Alegre só nos dá alegrias e seu Grupo de Jovens é fantástico,esses meninos e meninas me fazem ter orgulho de ajudar esse povo, e completou – Essa Vila é meu “xodó”, e nessa inauguração eu quero estar presente. E o Conjunto Residencial Silvio Maia foi entregue aos proprietários com a presença do Presidente Ernesto Geisel no ano de 1977, e logo depois nossa marginal Antonio Serafim Petean também seria concluída com todos atributos de uma rodovia estadual.
Nesse dia do ano de 1996 em que eu conversava com o agora ex-prefeito disse eu então:
- Esses meninos da “Vila” eram nós, e até hoje tenho guardado os agradecimentos que nesse tempo ela sempre nos mandava pelos serviços culturais (peças de teatro que a gente fazia) e muitas outras coisas como festivais que participávamos,pelos times de futebol e muitas outras coisas que não me lembro agora, mas que fico feliz de saber que quando se faz coisas boas,a gente ajuda outras pessoas mesmo que indiretamente.

 
Os Descendentes da Porcelana

Como descendentes que somos da raça mais antiga da terra (Sumérios),desde pequeno eu sempre fui consciente que para o bem de todos,seria melhor ajudarmos uns aos outros. Seguindo essa “regrinha” o mundo seria uma felicidade total. Mas as coisas simples são as mais complicadas, por incrível que pareça.
Muita gente não pensa assim e querendo levar vantagem em tudo,acabam por se complicarem elas próprias e por “tabela” a população humana inteira do mundo.
Por muito tempo na minha estadia terrena vivi trabalhando em fábricas de porcelanas e cerâmicas na cidade de Pedreira.Quando aos doze anos estava na Porcelana Santa Rosa , meu sonho era ser estampador de vasos ou canecas. Mas pra fazer esse serviço teria que ser pessoas habilidosas esforçadas e com responsabilidades, na verdade era preciso ser um artista, porque o trabalho manual e artesanal da porcelana exigia um grande comprometimento tanto fisico devido ao pó da sílica, como pscológico pela pressão que todos faziam em cima de nós. O salário era pequeno pelas qualidades que tínhamos e além disso muita gente ironizava e debochava de quem trabalhava no meio do pó. Chamavam de “pé branco”a todos que eram funcionários das porcelanas e cerâmicas. Mas quando no ano de 1969 a cidade dos “pés brancos” mostrava para o mundo o  trabalho artístico da fina porcelana fabricada aqui através da FIP, aí sim o Brasil inteiro caía de quatro pra nós. Gente de toda parte do país apareciam por aqui, fazendo então aparecer o valor de pessoas como eu por exemplo, que pela pouca idade estampavam “cabinho” ou “baldeavam colagem” na Santa Rosa uma das muitas fabricas da “Prainha” em Pedreira.
Com o passar dos anos “já estava com dezesseis” entrei na Cerâmica Santana onde meu avô, meu pai e meus tios já trabalhavam desde os anos 40. Mas a Feira Industrial de Pedreira a ‘Flor da Porcelana” continuou fazendo muito sucesso no mundo todo , devendo tudo isso a mãos habilidosas de muitos artistas “pés brancos”, onde muitos deles foram sacrificados pela mal da sílica, como meu tio “Antonio”, meu tio “Chiquinho”, meu primo “Mário”, meu tio “Moacir” , mais tarde também meu pai e muitos amigos de muitas famílias que muito lutaram e também foram sacrificados pela “Flor da Porcelana”.
E é por isso que hoje depois de viver tudo isso, posso chegar até aqui e na oportunidade que tenho,
proclamar ao mundo que somos os verdadeiros “Filhos da Porcelana”,os artistas de nosso tempo, os
“Herdeiros” da raça mais antiga da terra os “Sumérios”, onde ajudando uns aos outros construíram as melhores coisas que o mundo desfruta até hoje, e apesar dos mal intencionados invasores ou não, estamos construindo dias melhores à aqueles que virão depois de nós.